domingo, 5 de agosto de 2012

Umbigo


Tudo mais o que, meu amor? Vamos fazer panquecas, vamos fazer um bebê clandestino, criá-lo como se fosse uma lontra, sempre imergindo, sempre no limiar. Eu não me conformo com a crueldade, não a dele. Quero transformá-lo num lar sem telhado, na coisa mais verde, no berço. Quero borrifar meus cigarros na sua boca, se pudesse como um camelo de mil estômagos digeriria a comida para você perceber o que te engorda. Aqui dentro, meu homem, o homem do umbigo imprestável, aqui dentro existe um céu. 

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